Variação do frete no agronegócio

O agronegócio é um aspecto da economia que pode ter uma variação elevada nos preços que é influenciada por vários fatores. O clima, por exemplo, condição capaz de aumentar ou diminuir esse valor. Um ambiente favorável, melhora a safra. Já regiões que sofrem com a falta de chuva podem perder lavouras inteiras.

Porém, não é só o clima que influencia a agroeconomia. Vamos falar hoje sobre um fator menos comentado, mas ainda assim muito importante. O Frete.

Porque é tão importante?

O frete é parte fundamental do processo de produção agrícola. Uma safra, por melhor que seja, não tem muito valor se não puder ser transportada de maneira eficiente e segura para os compradores. E, ironicamente, quanto maior a safra, maior é a dor de cabeça para os agricultores. São necessários mais caminhões, que por conta do alto preço, diminuem a margem de lucro. Por conta da falta de opções no transporte, os produtores ficam refém das rodovias e seus custos elevados de frete.

Monopólio rodoviário

Devido a falta de investimento em ferrovias e hidrovias, que poderiam ser mais rápidos e mais baratos, produtores se vêem obrigados a recorrer às rodovias. Essa falta de opção e por consequência, falta de concorrência, pode levar a um aumento artificial dos preços, por conta da oferta e da demanda. Em épocas de safras de sucesso, existe muita necessidade de transporte de produtos. Ou seja, a demanda é alta. A oferta, contudo, é baixa e os agricultores se vêem presos a praticamente uma única opção. As rodovias. Por conta da grande demanda, os produtores aceitam pagar os valores elevados, pois precisam escoar a colheita. A alta demanda em combinação com a pouca oferta, pode levar a um aumento nos preços.

Além do crescimento natural por conta da oferta e demanda, pode ocorrer um aumento artificial por razões de monopólio. Isso ocorre especialmente em locais com infraestrutura precária, ou locais com pouca competição, fazendo com que as transportadoras cobrem o que quiserem. Os agricultores muitas vezes precisam pagar, pois não tem muita opção.

De acordo com um estudo do IBGE em conjunto com a Confederação Nacional de Transportes de 2014, 61% das cargas no Brasil eram feitas por vias rodoviárias. As ferrovias eram responsáveis por apenas 21% das cargas, enquanto as hidrovias representavam apenas 14%.
O estado de São Paulo apresentava um maior equilíbrio nesse número já que é o único que possui ligação direta da maioria das cidades menores com a capital por vias diferentes, sejam rodoviárias ou hidroviárias, além de possuir dois dos maiores aeroportos do país. Seguindo esse exemplo, um investimento em infraestrutura com o objetivo de trazer um maior equilíbrio entre esses números pode ajudar a estabilizar os custos com o transporte.

O desequilíbrio entre esses números é tão grande, que muitas vezes chega até mesmo a faltar
caminhões para tamanha movimentação.

O combustível

Os caminhões, evidentemente, precisam de combustível para fazer essa movimentação. Aumentos nos valores do diesel, que é o principal meio de abastecimento desses veículos, tem um impacto direto na variação do frete. É um problema mais sério do que parece, pois é um mercado cuja variação é pouco previsível e mesmo aumentos que parecem insignificantes têm podem causar muito prejuízo. Isso é, como dito acima, mais uma consequência da falta de opção no momento de realizar os transportes.

Fatores externos e inesperados podem trazer uma flutuação dos preços dos combustíveis. Por exemplo, o furacão Harvey que passou pelo estado da Flórida, nos Estados Unidos em 2017, levou a um aumento de 4,4% no valor do diesel no Brasil, segundo informações da Petrobrás. Isso ocorreu por conta das variações nas cotações internacionais, causadas pelo desastre. A empresa também estabeleceu uma política que permite variações diárias no preço do diesel, e da gasolina, conforme variações do mercado nacional e internacional.

Outro fator que influencia o aumento dos preços nos combustíveis,e por consequência, das cargas são os impostos cobrados sobre o diesel. Por exemplo, em julho de 2017, o governo brasileiro anunciou aumento nos tributos desse combustível, além da gasolina e do etanol, com o objetivo de complementar a arrecadação para cobrir o déficit. No diesel, o valor fixo a ser cobrado pelos impostos subiu de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 por litro, um aumento de por volta de 50%.

Ambos os casos têm impacto grande nos preços dos fretes em transportes rodoviários. Novamente, levando em consideração a falta de opção, os produtores precisam aceitar o aumento dos custos dos combustíveis. Esse é mais um fator que combina para a variação exagerada nos preços. E a história se repete. Com uma maior safra, maior a necessidade de transporte e por consequência, mais combustível. E por conta disso, infelizmente, menor é a taxa de lucros dos agricultores.

Acidentes e roubos

Como é comum no Brasil, a segurança é sempre um problema. E o meio rodoviário é um dos métodos menos seguros de transporte. Os roubos de cargas são muito comuns e trazem prejuízos a todos os setores do serviço, desde a transportadora até os produtores, que podem perder muito dinheiro. Quem arca com o custo desses furtos? Infelizmente, às vezes o prejuízo cai no colo do produtor.

Outro problema em relação a segurança é a má condição das estradas. Com buracos, falta de sinalização e outros fatores que podem levar a acidentes. Esse tipo de imprevisto pode ter consequências graves, como perda total da carga.

A falta de segurança é um infortúnio compartilhado por todos os setores do transporte agrícola. Porém, como as transportadoras têm mais força na negociação, devido a falta de opção para os produtores, podem aumentar o preço em rotas com maiores risco de roubos ou acidentes. O produtor, sem opção, muitas vezes aceita.

É preciso investir

Podemos ver que a falta de opção no transporte traz diversas consequências na variação dos preços. Um investimento em infra estruturas que viabilize novas alternativas e o aumente a segurança, além até mesmo de uma estabilização geral da economia podem ajudar a estabilizar o preço do transporte.

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